© Pedro Menezes
© Pedro Menezes
© Câmara Municipal do Porto Santo
© Neide Paixão
© Câmara Municipal do Porto Santo
© Élvio Sousa
© Susana Fontinha
© Élvio Sousa
© Francisco Fernandes
© António Aguiar
© Susana Fontinha
© Élvio Sousa
© Pedro Menezes
© Filipe Viveiros
© Élvio Sousa
© Pedro Menezes

Etnobotânica

 

No que respeita à etnobotânica, várias espécies autóctones e algumas endémicas apresentam tradição ao nível do seu uso e costumes associados ao povo do Porto Santo. Os Porto-santenses, por necessidade e devido ao seu isolamento, sempre estiveram muito ligados à terra e às plantas. As plantas locais, ao longo de seis séculos, foram e são ainda muitas delas, usadas para os mais variados fins, nas tradições religiosas, nos remédios caseiros e à mesa sendo indissociáveis da sua cultura e identidade. Como exemplos de plantas muito populares usadas em medicina popular temos: a selvageira, o hissopo e a losna.

De seguida, são referidos alguns usos e costumes associados a plantas que existem no Porto Santo. O dragoeiro foi outrora abundante e alvo de exploração por parte dos primeiros colonizadores, devido à grande procura de sangue-de-drago no séc. XV. O nome vem da palavra grega “drakaiano” que significa dragão, pois dizia-se que a sua seiva vermelha era sangue-de-dragão. Nos primeiros tempos do povoamento, foi exportado sangue-de-dragão, muito apreciado na Europa pelas propriedades medicinais, como corante para tingir tecidos e ainda no fabrico de verniz para violinos. Durante muitos anos, foi mantido o segredo sobre a origem do sangue-de-dragão, levando as pessoas a acreditar que era realmente sangue, alimentando crenças e esperanças nos seus benefícios e curas. Os caules dos dragoeiros primitivos, de grandes proporções, foram usados na reparação e construção de pequenas canoas ou utensílios de uso corrente.

Dragoeiro

Além do dragoeiro, espécies de líquenes comummente designados de urzelas (Roccella sp.), foram muito procuradas para tinturaria. Estes líquenes são comuns nas rochas sobranceiras do litoral. A componente ativa – o orcinol – com valor corante, origina no processo de tingimento de tecidos a perfeição da cor púrpura ou azul violáceo, conferindo significativa importância e valor comercial às urzelas. A sua valorização na economia atlântica aconteceu muito cedo, aquando da ocupação europeia dos espaços atlânticos no séc. XV. A urzela foi um dos primeiros produtos a serem comercializados e a sua exploração esteve ativa até ao séc. XIX, mas foi no séc. XVIII que revelou grande importância e pujança económica, sendo exportada para Inglaterra e Flandres.

Plantas utilizadas para outros fins são as barrilhas (Mesembryanthemum crystallinum e M. nodiflorum), nomeadamente para produção de pó de sabão, após reduzidas a cinzas. São plantas ricas em soda, e por tal ainda hoje são usadas para lavar as mãos em caso de necessidade, apresentando elevado teor de água nos seus tecidos.

Barrilha (c) Virgílio Gomes

Outras eram usadas como medicinais, persistindo o seu uso nos dias de hoje, como o chá de selvageira (Sideritis candicans var. multiflora) com propriedades digestivas, o chá de losna (Artemisia argentea) utilizado para curar padecimentos uterinos, como emenagogo e estomacal, o chá de hissopo (Micromeria varia subsp. thymoides) como calmante, o alho macerado com azeite para sarar as picadas do peixe-aranha (Trachinus draco) e a tabaibeira (Opuntia tuna) utilizada para combater a tosse.

Losna

 

Promotores

logo CMPS           logo DRAPS           logo Folclore       logo aream

Logo SRA        Logo IFCN

Back to Top